|
Os executivos das montadoras no Brasil estão com sorriso de orelha a orelha, e não é para menos. Um ano e meio após a crise financeira global que assolou mercados mundo afora, o setor, por aqui, bate mais três recordes. Os dados apontam para o melhor março da história, com 353 mil unidades vendidas. Nos primeiros três meses, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automores), foram mais de 750 mil unidades entregues, 17% a mais que o mesmo período do ano passado, o que configura também o melhor trimestre da história. E no último dia de março, outro recorde: 30.500 emplacamentos.
Com as mais de 337 mil unidades emplacadas segundo a Fenabrave, o mercado de automóveis e comerciais leves em março foi quase 30% maior que março do ano passado e cerca de 60% superior a fevereiro deste ano.
Em uma visão imediata, o fim do desconto do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), que voltou aos patamares normais em 1º de abril, pode ser apontado como a principal motivação para um mês tão aquecido. Só que o cenário econômico do país é mais valorizado pelos especialistas e executivos do setor do que o fim do desconto na alíquota. Os aumentos da renda, do crédito e dos prazos de financiamento são considerados os maiores responsáveis por esse desempenho tão vigoroso. “Os bancos oferecem condições de financiamento bastante atraentes, praticamente nos mesmos níveis de antes da crise”, exemplifica Tae Kawasaki, vice-presidente da Nissan.
A TABELA DO IPI
| Motorização |
Alíquota |
| 1,0 litro |
7%
|
| 1,0 l a 2,0 l flex |
11% |
| 1,0 l a 2,0 l a gasolina |
18% |
| + 2,0 l flex |
13% |
| + 2,0 l a gasolina |
25% |
Esse panorama deixa o setor otimista para o restante do ano. E apesar do IPI não ser tão importante assim para os especialistas, para abril é aguardada uma previsível e natural redução depois da corrida às lojas em março. “Em abril deve vir a ressaca do mês de março. Depois desses meses, o patamar de 260 mil unidades deve seguir no segundo semestre até dezembro”, aposta Cássio Pagliarini, diretor de marketing da Renault. A previsão é que as vendas diárias sejam 10% menores que em março, mas como tem três dias úteis a menos que o mês passado, a estimativa é que as vendas caiam em torno de 22%.
A queda nos meses subsequentes pode até não ser tão drástica assim. Há uma crença de que as montadoras vão sustentar os preços atuais, com ou sem IPI. “Agora começa a guerra para manter as vendas. Ninguém vai querer perder volume e muito menos participação no mercado”, ressalta Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive. “Mesmo com a volta do IPI, o mercado ficará mais competitivo. Natural uma acomodação em abril, talvez em maio, porém, nada que vá jogar o mercado para baixo. Esperamos crescimento de 5% esse ano, em uma perspectiva conservadora”, faz coro Lelio Ramos, diretor comercial da Fiat.
A indústria aposta, inclusive, que 2010 será o quarto ano de recorde consecutivo de vendas no mercado interno, com um crescimento entre 5% e 10% na comparação com 2009. “Estamos trabalhando com a perspectiva de um crescimento próximo ao da indústria, cerca de 9%. Nos próximos meses, sem a redução do IPI, iremos ver o nível de acerto dessa meta”, acredita Alberto Pescumo, gerente-geral comercial da Honda.
O tal cenário econômico positivo é visto como a base de sustentação das vendas de automóveis. Inclusive pelo poder de compra do brasileiro e o upgrade de classes sociais observado nos últimos anos. “O mercado conta hoje, ainda mais que em 2008, com uma demanda reprimida, uma demanda nascente com o crescimento da classe C e a ascensão da classe B. Quem mantém o varejo é a classe média”, pondera Luiz Carlos Mello, consultor do Centro de Estudos Automotivos. Março registrou um aumento de participação do segmento dos populares no total das vendas de 4,5%, reflexo da entrada de novos consumidores de carros zero-quilômetro no mercado.
Uma pulverização do crédito, ainda tímida, também é vista como outra mola propulsora para o setor. “O grande entrave talvez seja a falta dessa disseminação do crédito, ainda concentrado em classes de rendas e em regiões do país. O mercado pode crescer ainda mais”, argumenta o economista Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria.
Nesta euforia, a indústria trata de acompanhar o ritmo. Ou seja, nada de erros de planejamento estratégico e de produção, como ocorreu nos primeiros meses de 2009. Na época, o mercado aquecido pelo desconto do IPI, mesmo após a pior fase da crise global, não encontrou carros suficientes para a demanda. “No mês de março as fábricas produziram com força total. Geralmente fazemos um estoque de 30 dias para os veículos, em março o estoque foi de 41 dias e, mesmo assim, no final do mês nosso estoque chegou ao equivalente a 28 dias”, conta Marcos Munhoz, diretor geral de marketing e vendas da Chevrolet.
Fonte: Folha Online
|
|
Ministro recebe comitiva de Alphaville e Tamboré para discutir extinção das taxas
André Bittencourt
Deputado federal Fernando Chucre (PSDB-SP) e uma comitiva com representantes da AREA (Associação Residencial e Empresarial Alphaville) e da SIA (Sociedade Alphaville Tamboré) se reuniram na terça-feira, 6, com o ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), para discutir as ações jurídicas relacionadas às taxas federais do foro e do laudêmio.
O tema é de interesse dos bairros de Alphaville e Tamboré, onde quase 20 mil imóveis, dos cerca de 30 mil existentes, pagam a taxação criada no período da monarquia para arrecadar valores de proprietários que se estabeleciam em áreas sob controle do governo. Sua cobrança é muito contestada juridicamente.
O foro e o laudêmio são tema de ações analisadas por diferentes instâncias da Justiça e em recente processo discutido pelo STF, o ministro Marco Aurélio concedeu uma medida liminar suspendendo a cobrança para melhor exame de sua constitucionalidade.
Deputado federal entre 2007 e 2008, o atual prefeito de Santana de Parnaíba, Silvinho Peccioli (DEM), apresentou um projeto de lei para extinguir a aplicação da taxação. Sua proposta espera o relatório da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que será elaborado pelo deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), de Osasco.
Já Fernando Chucre, que esteve no STF nesta semana, apresentou no início de março outra iniciativa à Câmara com teor semelhante ao projeto de Silvinho, indicando a redução dos índices cobrados, dentre outras ações.
Atencioso
Entre os representantes da SIA que se reuniram com o ministro do Supremo nesta semana, a vereadora Maria Helena (DEM), de Santana de Parnaíba, destacou que Marco Aurélio demonstrou ter muito interesse em agilizar o debate sobre a cobrança do foro e do laudêmio. “Passamos a ver uma luz no fim do túnel”, destacou ela.
A vereadora disse ainda que, por sugestão do ministro, as entidades SIA e AREA podem apresentar novos argumentos jurídicos para contribuir com a análise dos casos sob julgamento do STF.
FONTE: Folha de Alphaville |
|
|
O custo dos alimentos disparou no início de 2010, e a alta de 3,69% verificada de janeiro a março já supera toda a variação observada ao longo do ano passado. Em 2009, os produtos alimentícios subiram 3,18%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a alta dos alimentos dobrou. Naquele período, a variação constatada havia sido de 1,32%. Ainda dentro desse grupo, foi o principal avanço para os três primeiros meses de um ano desde 2003 -- naquela época, o incremento havia sido de 5,12%.
Fora a esperada pressão das mensalidades escolares no início do ano, os alimentos foram decisivos para que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apresentasse a maior variação para um primeiro trimestre desde 2003. De janeiro a março, a alta foi de 2,06%, sendo superada pelos 5,13% constatados há sete anos.
Essa disparada no preço dos alimentos é explicada por um conjunto de fatores, segundo a coordenadora de Índice de preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eulina dos Santos. O efeito do clima é o principal deles, avaliou. As fortes chuvas, associadas às temperaturas acima da média, vêm prejudicando a produção de alimentos in natura. Outro fator relevante, acrescentou, é a maior demanda interna.
"Os produtores de leite, por exemplo, alegam que há excesso de demanda, principalmente do mercado interno", afirmou Eulina.
No ano, o tomate acumula alta de 44,59%, seguido pela polpa de açaí (32,54%), pelos açúcares refinado (25,27%) e cristal (25,08%), hortaliças (24,84%) e batata inglesa (21,45%). O leite pasteurizado ficou 13,18% mais caro no primeiro trimestre, sendo que, somente em março, a elevação chegou a 8,03%. |
|
A partir do próximo mês, os brasileiros ganham o primeiro banco de câmbio. Trata-se de um novo formato de instituição, criado pelo Banco Central, para aumentar a oferta de produtos e a competitividade entre os serviços de câmbio do país.
A instituição será comandada pela Confidence Câmbio, maior casa de câmbio do país, e a primeira a receber autorizar do Banco Central para atuar no segmento. A previsão é que as operações do banco, que ficará sediado em Alphaville, sejam iniciadas em maio. O banco será eletrônico e não receberá clientes.
Esse tipo de banco especializado foi regulamentado em 2006, mas nenhuma corretora de câmbio tinha se adequado à nova legislação. A Confidence e a Souza Barros pediram a mudança, mas só a primeira chegou lá.
“É uma grande conquista para a Confidence Câmbio e um importante reconhecimento, por parte do Banco Central, de que temos expertise e solidez financeira e nos enquadramos em todos os requisitos legais necessários para operar como banco de câmbio”, afirma Andreas Wiemer, vice-presidente da Confidence.
Como banco de câmbio, a Confidence fica autorizada a importar diretamente moedas estrangeiras e abrir contas próprias em instituições, entre outras operações que atualmente são limitadas a bancos múltiplos e não são permitidas às corretoras. Desta forma, a instituição não dependerá de bancos intermediários para viabilizar suas operações.
Entre os produtos que o banco irá oferecer está a abertura de contas em moeda estrangeira – restritas no Brasil a instituições como operadoras de turismo, consulados, embaixadas e seguradoras; fechamento de câmbio para importação e exportação; pagamentos e remessas acima de R$ 50 mil. Para as remessas, o custo deverá se situar em torno de US$ 30, bem abaixo do patamar médio de mercado de cerca de US$ 150.
FONTE: Folha de Alphaville |
|